Quero encontrar um amor


Quero encontrar um amor

aqueles que não batem na porta pra entrar

Aquele que não hesita

Em espantar a visita que me visitar

Quero encontrar um amor misto de samba leve com heavy metal

Que tenha um ar diferente do meu

que seja um canal aberto pro céu

Ah, onde encontro este amor eu não sei

É num barzinho lá em cima ou na próxima esquina

Eu só sei que eu encontro meu bem

Eis-me


Gosto do forte do vermelho da pimenta.
Gosto do ardor.
Gosto porque não são todos que gostam;
nem todos que agüentam.Gosto do engasgo;
da expressão de sufocamento;
dos olhos lacrimejantes pedindo compaixão ou ao menos um copo de água.
Ah... meu bem, eu gosto.
Gosto das labaredas nos olhos, da tentação que a cor produz.
É mágica.
Não carrego coisas por sorte;
as trago pelo estrago e pela delícia que me dá consumi-las.
Personifico-me: pimenta.
Ardida.
Ousada.
Intensa.
Forte.
Peculiar.
Não é pra qualquer um.
Não.
Poucos me agradam tanto para que isto se torne recíproco.
Eis-me

Deixa que doa


E se dói?

Deixe que doa.

Logo cicatriza.

As mágoas aqui ganharam nome, algumas, sobrenomes para se diferenciarem.

Aqui a solidão sempre fez morada.

Vai e volta sem ser chamada.

Aqui os amigos são poucos.

Se é que há.

Aqui eu abro meu peito e empresto meu coração pro seu bater.

Eu morro, eu mato para deixar você viver.

E caio no seu esquecimento, me esfolo por completo no seu descaso.

Deixe que doa.

Logo cicatriza.

Aqui as lágrimas caem, caem e secam sem amparo.

Aqui eu chego com o lenço e com o sorriso antes das suas rolarem, sequer chegam a marcar a face.Não sei fazer amigos.

Dom nunca a mim agraciado.

Não sei fazer amigos, e ando sem vida...

Doei-a: está com outras pessoas, emprestada.

Nunca me conheceram.

Nunca souberam, nunca entenderam.

Apego-me com todos os dedos e lá vai mais um escapando pelas mãos já calejadas.

Deixe que doa.

Logo cicatriza.

Ando atrás da reciprocidade como um sedento no deserto.

Os pés já cansaram, rachados.

Deixe que doa.

Logo cicatriza.Não fique mais aqui.

Não quero que veja mais uma lágrima secando e manchando o meu rosto por inteiro.

Se você não tem lenço, vá embora.

Por favor, me ensine a não esperar nada de ninguém.

Vá embora.

Sobre viver...


Há tempos esqueci as palavras bonitas.

Ou deixei de usá-las.

Lembrei-me hoje de quão importantes são e preciso que elas me inspirem, que me inspirem agora.

Então vamos.

Cada conquista feita é um aplauso...

Cada diferencial deveria ser uma medalha.

Quando for viver, faça o seu melhor.

Atinja alvos dignos de aplausos, dignos de orgulho.

Aquele orgulho múltiplo.

Aquele orgulho sadio. Íntegro.

Compartilhado.

Não inflame uma idéia que causa combustão.

Não ateie fogo à palha seca.

Não faça da sua vida um campo desolado por chamas, que destrua o verde mais intenso que existe no coração de alguém: o da esperança.

Renove-a.

Refaça-se junto com ela.

Floresça os campos que estão morrendo a sua volta.

A perfeição da vida consiste em viver, deixar viver e acima de tudo viver junto.

Orgulhar-se junto.

Amar.

Saborear o que a vida tem de bom, seja uma roupa nova, um tempero diferente, qualquer coisa.

Abster-se de sorrir e fazer os outros sorrirem é pecado, é acorrentar almas, desligar o cérebro, matar aos poucos.

O mundo está aí fora, com suas coisas ruins, com seus defeitos e frustrações.

Mas está lá fora e as coisas boas também estão e você só traz para si aquilo que lhe convém, bem como se liberta daquilo que não fará falta pra ninguém, especialmente para você.

Está em suas mãos.

A escolha é tão obvia para uma criança quanto para qualquer um.

A boa escolha é óbvia, só a boa.

E só serve para os fortes.

Você é fraco?

Mostre o porquê da medalha, se não tiver, conquiste uma.

E mostre a todos o porquê dos aplausos.

Livrai-me


Não mereço, necessariamente, o perdão de ninguém.

Não há nada o que ser perdoado.

O que foi dito, dito está.

O que foi visto, aconteceu.

E isso ainda é uma prece.

Livrai de mim; igualar-me de novo a gargantas que vomitam.

Livrai de mim; pregar peça e achar que não foi por mal.

Livrai de mim, ser amiga de todos sem realmente conhecê-los.

Livrai de mim; ser imparcial a ponto de não perceber quem é a vítima.

Livrai de mim os laços que me imponho.Livrai de mim a face escura no espelho.

Entenda:É difícil explicar quando você se iguala.

Não é fácil dizer sem obter resposta.É impossível não sofrer causando sofrimento.

Fibras de aço cobertas por vidro enferrujam.

É difícil explicar quando você se mistura na mesma terra, não dá para econtrar todos os meus cacos.

Estrutura-me.