Sonhos...

Não desista dos seus sonhos, na hora das dificuldades que você tem que acreditar em seus sonhos, lute por eles, porque seus sonhos são tambem os sonhos de Deus.


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Gosto de me sentir a única responsável pelas minhas frustrações. Isso me dá a sensação de que se, da próxima vez eu acertar, poderei evitá-las.

Gosto do frio na barriga do primeiro encontro... Da dramaticidade cômica das gafes e do nervosismo...

Gosto do olhar direto, porém, acanhado. Do beijo tímido, porém, intenso...

Do desejo carnal se transformando em tudo o mais. Do despertar dos sentidos, das vontades, sentimentos.
Gosto do meu direito de viver como me cabe... De mudar como me interessa... De pensar quando me importa...

Gosto de ser quem sou, mas com o prazer imensurável de mudar quando considero preciso e me considero capaz...

Gosto até da rispidez que a sinceridade conota, porque dela é que se faz acordar para evoluir...

Gosto de me sentir humana, de sentir, de entender e de ser capaz de me importar o suficiente com as pessoas para não me dar ao luxo de fazê-las achar que em algum momento elas serão mais importantes que a mim mesma na minha vida...

Gosto da desaobrigação do sentir... Da vontade genuína, da delícia do estar e não de ser.. Gosto do sabor das coisas sem que precisamos que elas nos possuam para apreciar. Da beleza das coisas, do contemplar, do toque, do cuidado, da verdade...

Gosto de cultivar em mim a vontade de ser cada dia melhor do que eu mesma, sem precisar disputar com mais ninguém. Sem ter que despertar compaixão nas pessoas e gosto de saber que em algum momento da vida, fiz a diferença, ainda que hoje isso não valha nada...

Gosto de amar sem esperar amor em troca, de me desafiar à uma força sobre-humana de entender que as pessoas se desfazem do que sentem à medida que não podem lidar com isso e de ser capaz de lidar com tais lembranças sem sentir dor, só sorrir novamente, com saudades mais sem a pretensão de querer de volta...
 Gosto quando me permito respirar lembranças... Quando sinto de cada um, o cheiro que me deixou num abraço, ou o tom de voz carinhoso ao se despedir, ou o beijo dado na testa como sinal de respeito ou, ainda, os sorrisos sem motivo ou porque dados em meio ao caminhar despretensioso pelas ruas...

Gosto de lembrar que, mesmo com tantas adversidades da vida, ainda sou capaz de guardar o melhor de cada um e de ser capaz de ser feliz por terem se ido para o que lhes faz sentir melhor...

E de saber que ainda que jamais se lembrem de mim, eu já lhes fiz sorrir...

Por Thati Nunes 



  

Você tem o controle de si mesmo

Você tem a liberdade de decidir que atitudes tomar. Não existe ninguém, nenhuma lei, muro, prisão nem circunstância que possa impedi-lo de exercer controle sobre sua própria mente.
As circunstâncias não podem controlá-lo. Você tem o controle sobre si mesmo. O mundo ao seu redor pode ser bom ou ruim, mas a decisão está em suas mãos. Você pode ter nascido em um palácio e acabar por não fazer nada da sua vida.
Ou você pode ter crescido em um gueto e tornar-se uma pessoa de grandes realizações.Você precisa ser paciente em meio a frustrações. Você pode manter o foco no meio da confusão. Você pode ser disciplinado em meio à libertinagem. Você pode ser positivo em face ao desespero e amoroso em face à amargura.
A pessoa que você é por dentro não depende das coisas que acontecem do lado de fora Uma vida de sucesso é conseqüência da nossa firmeza de propósitos e nossa habilidade em usar os caprichos das circunstâncias em vez de sermos consumidos por eles.

Fala sério, Filha!

Crônica do livro "Fala sério, Filha" - Thalita Rebouças

Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência, né,

O fim num bilhete

Na última semana de aula ⎯ aula de recuperação, o que é pior ⎯ fiquei com o Sapo, um garoto da minha sala feio-feio-feio, mas supergente boa. Confesso que não me empolguei nada com ele, nosso beijo não encaixou. Para mim, íamos continuar a ser amigos. Amigos que se beijaram, mas apenas amigos. E não se falaria mais no assunto “ficada”. Mas o inusitado aconteceu.
“Eu cinto muito, mais meu amor pur vc acabo. Acabo geral. Fui”.
Essas foram as… hum… frases escritas numa gaivota de papel que me atingiu em cheio na nuca no meio da aula de Matemática. Fiquei muito injuriada. Fala sério! Como assim um bilhete para terminar uma ficada? Como assim esse bilhete chegou na forma de uma gaivota de papel? E “amor”? Quem foi que falou em amor? Fiquei só duas vezes com o cara! A segunda para dar uma chance, que fique claro. Queria ver se não encaixávamos mesmo, poxa.
O pior não foi isso! Não bastasse viver a bizarra cena de ser atingida na sala de aula por uma gaivota idiota, a gaivota estava suuuupermal escrita! Que língua era aquela? Como é que eu pude ficar com uma pessoa que escreve “cinto” em vez de “sinto”, “pur” e “acabo” sem o “u”?! Que é que é isso?! Sem contar o “mais”, que para ele é a mesma coisa que “mas”. Eu sou uma otária, mesmo! Fiquei com um jegue! Que vergonha!, lamentei.
⎯ Eu ligaria pra ele pra tirar essa história a limpo! Como assim “amor”? Não teve tempo pra amor! ⎯ opinou Alice.
⎯ Não dá pra amar um cara que beija daquele jeito, com língua de manivela.
⎯ Além de feio, o Sapo beija mal, Malu? Sério?! ⎯ perguntou Nanda, chocada.
⎯ A língua dele não parava de rodar, parecia querer brigar com a minha, sabe? Um horror!
De repente, no meio desse assunto importantíssimo, aparece no meu quarto minha mãe, telefone sem fio na mão. Passou o recado entre os dentes, o ódio em estado bruto no seu semblante:
⎯ É o palhaço burro e sem coração que terminou com você com uma gaivota de papel, Maria de Lourdes! Vê se não vai se derreter pra ele! Você tem que se valorizar! ⎯ rosnou, antes de bater a porta e sair.
Do outro lado da linha, a voz do palhaço burro e sem coração parecia embargada.
⎯ Pô, aí, foi mal, Malu… Tô arrependidão… Cê é mó gente boa, desculpa terminar com você daquele jeito ⎯ ele disse.
⎯ A gente não tinha nada pra terminar! A gente ficou uma vez na festa da Carol e outro dia, depois da escola. Mas nem considero aquilo um beijo, foi praticamente uma lambida, de tão rápido.
⎯ Eu sei… é que eu não tô mais a fim de você, na boa…
⎯ Sapo, entende, EU não estou a fim de você! Nunca estive! Você beija mal, é zero bonito, zero charme, zero veneno…
Nesse minuto, um pedaço de papel surgiu por baixo da porta. Fiquei intrigada, as meninas idem. Era um bilhete. O segundo daquele dia. Dizia ele: “E zero inteligência, zero conhecimento da alma feminina e zero noção da língua portuguesa! Você é um asno, meu filho! Um semi-analfabeto, não acredito que está na mesma sala que eu! Assinado: Mamãe”.
Abri a porta e até tentei dar uma bronca na dona Angela Cristina pela falta de educação de ouvir minha conversa atrás da porta. Mas quem disse que consegui? Olhei pra ela e caí numa gargalhada silenciosa enquanto ele despejava erros de português no meu ouvido. Fechei a porta e acabei dizendo quase tudo o que ela escreveu.
Fiquei com peninha de chamar o coitado de asno, mas minha dileta progenitora mandou outro bilhete: “ASNO! ASNO! ASNO! Fala sério, filha! Trata de obedecer à mamãe!”.
Eu sucumbi ao apelo materno.
Não adiantou nada. Ele não sabia o que era asno.